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Em 2011, o filme “O Homem Que Mudou o Jogo” (“Moneyball” no original), dirigido por Bennett Miller e estrelado por Brad Pitt, Jonah Hill e o saudoso Philip Seymour Hoffman, cativou o público e provocou debates acalorados sobre a aplicação da análise estatística no mundo do esporte. A história, baseada em fatos reais, narra a jornada de Billy Beane, o gerente geral do Oakland Athletics, e sua ousada tentativa de construir um time competitivo com um orçamento drasticamente inferior ao de seus rivais.

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O filme, disponível em plataformas como Prime Video e Netflix (dependendo da região e disponibilidade), é mais do que uma simples biografia esportiva. É um estudo de caso sobre inovação, resiliência e a busca por uma vantagem competitiva em um ambiente dominado por tradição e crenças arraigadas. Mas, afinal, quem foi Billy Beane e qual o tamanho do impacto de sua abordagem no baseball e em outros esportes?

Billy Beane: Um Fracasso Promissor que Renasceu como Visionário

A ironia da história de Billy Beane reside em seu próprio passado como jogador. Considerado um prospecto de altíssimo nível, Beane foi escolhido na primeira rodada do draft da MLB, a liga profissional de baseball americana. No entanto, sua carreira como jogador nunca decolou. Atribui-se isso, em parte, à pressão das expectativas e à dificuldade em se adaptar ao rigor do profissionalismo.

Essa experiência, no entanto, moldou sua visão sobre o jogo. Ao assumir o cargo de gerente geral do Oakland Athletics, Beane se deparou com uma realidade brutal: a equipe, apesar de ter um histórico de sucesso, não possuía os recursos financeiros para competir com os gigantes da liga, como o New York Yankees e o Boston Red Sox.

Com a perda de jogadores-chave para equipes mais ricas, Beane precisava encontrar uma maneira de montar um time competitivo sem gastar uma fortuna. Foi nesse contexto que ele conheceu Peter Brand (personagem inspirado em Paul DePodesta), um jovem economista recém-formado em Yale que defendia a aplicação de métodos estatísticos avançados na avaliação de jogadores.

Sabermetria: A Matemática por Trás do Sucesso (e do Fracasso)

A abordagem de Beane e Brand se baseava na “sabermetria”, uma análise objetiva do desempenho dos jogadores baseada em estatísticas como “on-base percentage” (OBP – porcentagem de chegadas em base) e “slugging percentage” (SLG – porcentagem de rebatidas). Ao invés de se basearem em olheiros experientes e suas impressões subjetivas, Beane e Brand procuravam por jogadores subvalorizados que, apesar de não serem considerados “estrelas”, possuíam um alto OBP, indicando sua capacidade de chegar em base com frequência.

A ideia era simples: o objetivo do baseball é marcar corridas. Para marcar corridas, é preciso chegar em base. Portanto, jogadores com um alto OBP são valiosos, mesmo que não possuam outras qualidades tradicionalmente valorizadas, como velocidade ou força.

A implementação dessa estratégia, no entanto, não foi fácil. Beane enfrentou resistência interna da equipe técnica, especialmente do olheiro-chefe Grady Fuson e do técnico Art Howe (interpretado por Philip Seymour Hoffman), que se mostravam céticos em relação à “abordagem matemática” e preferiam confiar em sua experiência e intuição.

Resultados e Legado: Uma Revolução em Curso

Apesar das dificuldades iniciais, a estratégia de Beane começou a dar resultados. Em 2002, o Oakland Athletics conquistou um feito histórico, vencendo 20 jogos consecutivos, um recorde na American League. Essa sequência impressionante chamou a atenção da mídia e consolidou a reputação de Beane como um gênio inovador.